segunda, julho 16, 2018 13:33

Archive for the ‘Nórdico’ Category

Nótt

quarta-feira, dezembro 9th, 2015

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Nótt (“noite” em nórdico antigo) é a deusa nórdica que personifica a noite, além de avó materna do deus do trovão Thor. Sua origem e natureza são descritas no Gylfaginning (“O Engano de Gylf”), a 1º parte da Edda em prosa escrita por Snorri Sturluson em torno de 1220. A deusa é geralmente retratada como uma mulher madura com pele escura e usando trajes escuros.
De acordo com o Gylfaginning, Nótt era filha de um jotunn chamado Nörfi ( também Narfi ou Nörr). Ela teve três maridos e com cada um deles teve um filho. Seu primeiro marido foiNaglfari, com quem teve um filho chamado Audr, depois casou-se com Annar, com quem teve uma filha chamada Jörd (“Terra”) e, por último, casou-se com um membro da classe dos Aesir, Dellingr, com quem teve um filho chamado Dagr (“Dia”).  Nótt e Dagr receberam de Odin dois cavalos e duas carruagens e foram colocados no céu, de modo de eles cavalgariam ao redor do mundo a cada doze horas. Nótt cavalga durante a noite sobre seu cavalo chamado Hrímfaxi (“Crina Gelada”) que ao amanhecer orvalha a terra com a espuma de seu freio. Já Darg cavalga durante o dia sobre o seu cavalo chamado Skinfaxi (“Crina Brilhante”), que ilumina a terra e o céu com o brilho de sua crina.

 

 

 

 

 

 

Cernunnos

segunda-feira, junho 22nd, 2015

 

CernunnosCernunnos é, com toda a probabilidade, a mais antiga divindade do panteão celta. Há sinais, inclusive, de que ele seja anterior às invasões celtas. Não podemos esquecer que, se boa parte da Europa foi colonizada por sua cultura, as zonas por eles controladas já estavam ocupadas por outros povos com os quais por força tiveram de fundir-se para subsistir, não havendo motivo para que suas crenças fossem aniquiladas.

       Independentemente de sua origem, Cernunnos, o deus de chifres, desempenha uma função importante não só por se tratar do Senhor dos Animais — domésticos ou selvagens —, mas também da Fertilidade e da Abundância — regulando as colheitas dos grãos e das frutas. Posteriormente, foi considerado também o deus do dinheiro. Os romanos quiseram identificá-lo com o seu Dis-Pater, que tinha influência sobre os mortos, apesar de as funções de Cernunnos não coincidirem por completo.

Sua primeira representação conhecida está presente em uma gravação sobre rocha datada do século IV a.e.c. encontrada no norte da Itália. Ali ele já aparece como um ser de aspecto antropomorfo, dotado de dois chifres na cabeça e dois torques em cada braço. O torque — uma espécie de colar torcido com as extremidades em forma de argola — é um atributo de poder e às vezes de realeza utilizado pelos grandes chefes ou pelos guerreiros mais destacados para que fossem identificados como mestres na sociedade celta e devia ser colocado apenas no pescoço ou nos braços: trata-se de uma série de tiras de metais preciosos entrelaçados em meio a um charmoso desenho em espiral nas formas de colar e pulseira que não fechavam.
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          Ao lado da imagem de Cernunnos encontrada no norte da Itália estava desenhada uma serpente — símbolo da fertilidade, do renascimento e da sabedoria que mais tarde foi satanizado — com cabeça de carneiro e uma figura com o pênis ereto — concedendo uma idéia de ferocidade. Imagens similares podem ser encontradas em toda a Europa.
           Freqüentemente é representado acompanhado por animais, principalmente cervos e touros, que se alimentam de um grande saco que tem em seu poder, ou por serpentes que se alimentam da fruta oferecida entre suas pernas. Em algumas ocasiões, aparece sentado na posição de Buda. Encontramos seu nome escrito em apenas uma ocasião: em um relevo em sua homenagem elaborado por marinheiros do inicio do século II d.e.c., no qual, além dos chifres, o deus tem orelhas de cervo.
           Sua imagem mais famosa é a do caldeirão de Gundestrup, um charmoso recipiente de prata de 36 centímetros de altura utilizado em rituais e que foi encontrado na Jutlândia, Dinamarca, quebrado em cinco pedaços. A peça foi reconstituída para que pudesse ser admirada em toda a sua beleza. Neste caldeirão, Cernunnos senta-se com as pernas cruzadas, com um torque no pescoço e outro na mão direita e segura uma serpente com a mão esquerda.
Das figuras que o acompanham, destacam-se um cervo de um lado e o que poderia ser um javali do outro lado. Também aparece um homem montado em um salmão — o peixe da sabedoria — e dois animais da mesma espécie que se enfrentam. Outro relevo em pedra — este encontrado no sudoeste da Inglaterra — o mostra com as pernas formadas por duas grandes serpentes com cabeça de carneiro sobre algumas bolsas de dinheiro colocadas ao lado do deus. Em uma moeda de prata inglesa, ele aparece com uma roda, signo solar, entre os chifres.
Os deuses com chifres são sempre identificados como entidades de sabedoria e de poder. Na Antigüidade, tais protuberâncias cefálicas podiam ser levadas apenas pelos mais viris, e não no sentido em que são entendidas vulgarmente nos dias de hoje, como indivíduos muito fortes e agressivos, mas no da própria etimologia latina. Um tipo viril era um homem com todas as letras, dotado de todas as qualidades presumíveis, mas demonstradas apenas por indivíduos reais: valor, honra, masculinidade, entre outros. Os chifres mostravam, além de tudo isso, que esse individuo desfrutava de sabedoria sobre o mundo.
Um conto popular gaélico fala sobre viajantes que chegam a uma ilha misteriosa na qual encontram apetitosas maçãs. Após mordê-las, chifres crescem em suas testas e eles passam a compreender muitas coisas que acontecem ao redor do mundo. Uma lenda escocesa afirma que tais chifres apareciam na cabeça dos melhores guerreiros quando eles se preparavam para o combate há muito tempo, ainda na “infância” da humanidade. Os vikings são popularmente mostrados como terríveis piratas que usavam capacetes com chifres. Porém, eles nunca levavam adornos semelhantes aos combates, pois isso representaria um grande incômodo se realmente o fizessem. Na verdade, utilizavam capacetes lisos, quase sem ornamentos, muito mais práticos. Os capacetes com chifres eram utilizados apenas em cerimônias religiosas. Uma das famosas esculturas de um dos maiores artistas de todos os tempos, Michelangelo Buonarrotti, é sua representação de Moisés. A obra, que data do século XVI, mostra dois chifres e encontra-se na basílica de São Pedro, em Roma.

 Os símbolos dessa divindade
são a cor dourada, chifres
ou galhadas,o veado, as
cobras, as sementes,
os grãos e a foice.

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Bergelmir

segunda-feira, junho 1st, 2015

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      Na mitologia nórdica, Bergelmir é um dos jotunn (gigantes de gelo), filho de Thrudgelmir e neto de  Ymir,  o primeiro gigante. Ymir foi morto por Odin e seus irmãos, e o sangue que verteu dos ferimentos de  seu  corpo era tamanho que acabou causando um verdadeiro dilúvio. Muitos jotunns morreram durante a  inundação, e sua raça teria sido extinta se Bergelmir e sua esposa não tivessem usado um tronco oco de  árvore como jangada e assim se salvarem. Juntos, chegaram até Jotunheim e lá eles recomeçaram sua vida  e deram continuidade a raça dos gigantes de gelo.
      Desde então, a inimizade estabeleceu-se, definitivamente, entre deuses e gigantes, cada qual vivendo  livremente em seu território, mas sempre alerta contra o inimigo.

Gullinbursti

quinta-feira, outubro 23rd, 2014
Gullinbursti (também conhecido como Slíðrugtanni) é na mitologia nórdica um javali gigante de ouro pertencente ao deus Frey. Seu nome significa “Cerdas Douradas”, relacionado com os seus pelos feitos de fios de ouro, que brilhavam como o sol e fazia com que plantas crescessem por onde quer que passava. Com a sua presas, Gullinbursti limpava a terra, ensinando assim aos homens como ará-la. Conta-se que ele era mais rápido do que qualquer cavalo, podendo ainda caminhar pelo céu e pelo mar.
Gullinbursti foi um dos itens criados pelos irmãos anões Brokk e Eitri, após um desafio feito pelo astuto Loki.
O Desafio de Loki
 

Em uma de suas “brincadeiras”, Loki cortou todo o cabelo da deusa Sif enquanto a mesma dormia. Ao acordar, Sif ficou tão abalada com o seu visual que se isolou em seu quarto, e tomando as dores de sua esposa, Thor capturou Loki e começou a quebrar osso por osso, até que o mesmo prometeu restituir os cabelos de Sif. Loki então buscou o auxílio de um grupo de anões conhecidos como Filhos de Ivaldi, que criaram não só novos cabelos, estes feitos com fios de ouro, mas criaram também o navio mágico de Frey, Skidbladnir, e também Gungnir, a lança de Odin.

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Aproveitando-se do orgulho dos anões, Loki provocou os irmãos Brokk e Eitri, dizendo-lhes que eles não eram capazes de criar itens tão belos ou úteis quanto aqueles criados pelos filhos de Ivaldi. Além disso, apostou com os dois sua própria cabeça, caso eles conseguissem fazê-lo.
Furiosos, Brokk e Eitri aceitaram o desafio de Loki, e se puseram a trabalhar na forja, certos de que podiam vencê-lo. Loki permaneceu com os anões observando seu trabalho, vez ou outra tentando atrapalha-lhos para que não pudessem se concentrar. Logo, Loki perceberia que havia cometido um erro grave ao apostar a própria cabeça. Brokk e Eitri terminaram o seu trabalho, e no fim criaram mais três presentes para os deuses: o anel mágico Draupnir , o martelo de Thor, Mjollnir, além de Gullimbursti.
Os irmãos anões convocaram os deuses para decidirem quais presentes eram os melhores, e após compararem, os deuses declararam que Brokk e Eitri haviam criado os melhores presentes, saindo vencedores da aposta com Loki. O deus trapaceiro tratou de desaparecer imediatamente, mas logo foi localizado e entregue aos irmãos anões, para que pagasse a aposta. Utilzando sua astucia mais uma vez, Loki concordou que Brokk e Eitri tinham o direito de ter sua cabeça, mas a aposta não havia dito nada sobre seu pescoço. Frustrados com esta “lógica”, os anões se contentaram em costurar os lábios de Loki, para que ele nunca mais usasse sua boca para proferir enganos.