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Tartalo

quinta-feira, Janeiro 1st, 2015

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Tartalo (ou Tartaro) é um personagem da mitologia basca, que é um gigante enorme e forte com um só olho, similar aos ciclopes da mitologia greco-romana. Embora aqueles sejam os nomes mais usuais atualmente, dependendo das épocas e lugares, também foi chamado Torto, Tartare, Anxo (ou Antxo) ou Alarabi, embora estes últimos dois nomes possam designar outras figuras distintas.
Origens
A origem do nome de Tartalo e das suas variantes é desconhecida. Apesar de ter-se mantido até à atualidade na tradição basca, não é certo que a sua origem seja basca, e é provável que a tradição não se tenha circunscrito aos limites atuais daquela região. Sabe-se da existência dum personagem de nome Tartari para lá da Gasconha, margem direita do Garona, no Agenense. Trata-se sempre dum ogre ou dum personagem maléfico e havia uma expressão popular «mau como Tartari». Em alguns contos, o ogre chama-se Tartari e a sua mulher Tartarino. Segundo o historiador e folclorista Jean-François Bladé (1827–1900), alguns camponeses chamavam Tartari ao diabo negro que leva Polichinelo para o teatro de marionetas Especula-se também que o seu nome possa derivar do nome do deus grego do mundo inferior Tártaro.

 

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Características
As características e as aventuras que se lhe atribuem correspondem em grande medida às do ciclope Polifemo da mitologia grega. Como este, Tartalo vive numa caverna, cria ovelhas e devora os homens que consegue apanhar até que ao dia em que um dos seus prisioneiros, mais astucioso que ele, se escapa rebentando-lhe o olho e escondendo-se entre as ovelhas. As suas outras aventuras são essencialmente do tipo do ogre enganado.
Na tradição basca, um dos seus opositores é frequentemente um rapazinho esperto chamado Mattin Ttipi (“Pequeno Martinho”), ou Mattin Txirula (“Martinho tocador de txistu” [flauta]), muitas vezes considerado como “doido” ou “imbecil”, mas cujos atos desmentem o sentido habitual destes termos, e marcam a sua “diferença” com o comum dos seus contemporâneos. O estudioso de contos tradicionais do País Basco Wentworth Webster (1828–1907) via certos detalhes dos contos, como o anel falante que ele oferecia às suas vítimas potenciais, como sendo temáticas celtas.
Tartalo faz parte dum grande número de ciclopes que se encontram nas tradições de toda a cadeia dos Pirenéus e nos Alpes (Bécut, Ulhart, etc.). Há diversos lugares das montanhas bascas que têm o nome de “habitação de Tartalo” (Tartaloetxeta).
Algumas versões de contos, provavelmente mais recentes, tendem a confundir Tartalo com outras figuras mitológicas bascas, como o Basajaun (“senhor da floresta”) ou um lamina (plural laminak, anões com carcaterísticas variadas).
Um dos contos de Tartalo
Um dia, enquanto dois irmãos do baserri de Antimuño caçavam, foram apanhados por uma tempestade, pelo que decidiram refugiar-se da chuva numa gruta, que era a de Tartalo. Pouco depois, Tartalo chegou com o seus rebanho de ovelhas e quando viu os dois irmãos disse: “um para hoje e o outro para amanhã”.
Nesse mesmo dia, ele cozinhou e comeu o irmão mais velho e depois foi dormir. Enquanto estava a dormir, o irmão mais novo roubou o anel de Tartalo e espetou o espeto de assar no único olho do gigante. Tartalo ficou cego mas não morreu, e começou a procurar o rapaz entre as suas ovelhas, mas este tinha-se coberto com uma pele de ovelha e fugiu. Mas quando saiu do rebanho, o anel acusador começou a gritar: “Eu estou aqui! Eu estou aqui!”.
Tartalo saiu da sua caverna e começou a correr atrás do anel, ouvindo os seus gritos. O rapaz não conseguiu tirar o anel, por isso quando chegou à beira de um precipício cortou o dedo, e como o gigante estava perto, decidiu atirá-lo ao precipício. Seguindo os gritos do anel, Tartalo caiu pelo precipício abaixo.
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El Dorado

terça-feira, Março 2nd, 2010

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A lenda do El Dorado, que se fundava na crença de uma cidade repleta de ouro, cujo termo El Dorado significa “O (homem) dourado” em espanhol; segundo a lenda, tamanha era a riqueza da cidadela, que o imperador tinha o hábito de se espojar no ouro em pó, para ficar com a pele dourada.

 

Essa lenda foi ouvida pelos primeiros conquistadores espanhóis que se fixaram, no século XV e XVI, nas costas da atual Colômbia e Venezuela, então chamada Terra Firme ou Terra Santa. A busca do El Dorado, que levou os europeus até ao Brasil, persistiu até meados do século XVIII.
Em 1535, o general Sebastián de Belalcazar, após ter destruído a última resistência dos Incas, no Norte de Lima (na direção de Quito), ouviu de um indígena, seu prisioneiro, a história do El Dorado, uma lenda das tribos ribeirinhas do Orinoco. Reza a lenda que havia uma tribo muito rica, localizada perto da atual Santa Fé de Bogotá (capital da Colômbia), onde viviam os índios Chibcha ou Muisca. Este povo tinha como costume religioso de untar o corpo do rei, provavelmente quando subia ao trono ou antes de ações guerreiras, com uma substância aderente, talvez resina, sobre a qual era soprado finíssimo pó de ouro. Completamente dourado, o rei dirigia-se para o meio da lagoa Guatavita, numa embarcação, e banhava-se nas águas, depois de ter lançado, para o fundo, jóias, vários objetos de ouro e pedras preciosas, como oferendas ao seu deus.
Segundo os registos de Oviedo de 1543, os Espanhóis tinham ouvido dos Índios que, todas as noites, o rei dourado se lavava, retirando o ouro do corpo, mas, no dia seguinte, voltava a ser coberto por esse metal precioso.
O mito do El Dorado conquistou de tal forma o imaginário dos séculos XV e XVI que arrastou os Europeus para a busca do tesouro e para a descoberta de novas terras das Índias Ocidentais, como designava, na época, a América. A referência ao El Dorado fazia mesmo parte das cartas com instruções que só os comandantes dos navios podiam abrir.
Foram muitos os exploradores que procuraram a mítica cidade, a exemplo do espanhol Gonzalo Jimenez de Quesada, em cuja expedição de 1538 fez parte Juan de Castellanos, o autor de História Del Nuevo Reino de Granada, os primeiros escritos sobre o El Dorado.
A ambição e a curiosidade pelo El Dorado atraíram os espanhóis até à Amazônia portuguesa. No entanto, as expedições organizadas, como as de Pedro Fernandez de Lugo, Gonzalo Quesada, Gonçalo Pizarro, Pedro de Ursua, em vários locais do Norte da América do Sul, nomeadamente, junto ao rio Orinoco, ao rio Negro, no lago de Guatavita, revelaram-se difíceis e sem sucesso.
Em 1698, descobriu-se as minas de Itaverava, em Minas Gerais, que despertaram a imaginação de vários aventureiros, relançando a busca do El Dorado. Foram encontradas, nessas minas, pedras pretas que, na realidade, eram porções de ouro, conforme se verificava depois de lavadas. Na verdade, essas pedras, que ficaram conhecidas como ouro negro, eram pretas, porque estavam cobertas por uma leve camada de óxido de ferro.
Jules Crevaux (1847-1882), um dos grandes exploradores da Amazônia, chegou à conclusão de que a existência de grutas formadas com rochas ricas em mica, que permitia tornar o corpo brilhante, teria baralhado os nativos, que nas suas narrações fantásticas, teriam confundido as palhetas de micas, conhecidas também como “areia de ouro”, com o ouro do El Dorado.
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