segunda, julho 16, 2018 19:53

Archive for the ‘Celta’ Category

Cernunnos

segunda-feira, junho 22nd, 2015

 

CernunnosCernunnos é, com toda a probabilidade, a mais antiga divindade do panteão celta. Há sinais, inclusive, de que ele seja anterior às invasões celtas. Não podemos esquecer que, se boa parte da Europa foi colonizada por sua cultura, as zonas por eles controladas já estavam ocupadas por outros povos com os quais por força tiveram de fundir-se para subsistir, não havendo motivo para que suas crenças fossem aniquiladas.

       Independentemente de sua origem, Cernunnos, o deus de chifres, desempenha uma função importante não só por se tratar do Senhor dos Animais — domésticos ou selvagens —, mas também da Fertilidade e da Abundância — regulando as colheitas dos grãos e das frutas. Posteriormente, foi considerado também o deus do dinheiro. Os romanos quiseram identificá-lo com o seu Dis-Pater, que tinha influência sobre os mortos, apesar de as funções de Cernunnos não coincidirem por completo.

Sua primeira representação conhecida está presente em uma gravação sobre rocha datada do século IV a.e.c. encontrada no norte da Itália. Ali ele já aparece como um ser de aspecto antropomorfo, dotado de dois chifres na cabeça e dois torques em cada braço. O torque — uma espécie de colar torcido com as extremidades em forma de argola — é um atributo de poder e às vezes de realeza utilizado pelos grandes chefes ou pelos guerreiros mais destacados para que fossem identificados como mestres na sociedade celta e devia ser colocado apenas no pescoço ou nos braços: trata-se de uma série de tiras de metais preciosos entrelaçados em meio a um charmoso desenho em espiral nas formas de colar e pulseira que não fechavam.
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          Ao lado da imagem de Cernunnos encontrada no norte da Itália estava desenhada uma serpente — símbolo da fertilidade, do renascimento e da sabedoria que mais tarde foi satanizado — com cabeça de carneiro e uma figura com o pênis ereto — concedendo uma idéia de ferocidade. Imagens similares podem ser encontradas em toda a Europa.
           Freqüentemente é representado acompanhado por animais, principalmente cervos e touros, que se alimentam de um grande saco que tem em seu poder, ou por serpentes que se alimentam da fruta oferecida entre suas pernas. Em algumas ocasiões, aparece sentado na posição de Buda. Encontramos seu nome escrito em apenas uma ocasião: em um relevo em sua homenagem elaborado por marinheiros do inicio do século II d.e.c., no qual, além dos chifres, o deus tem orelhas de cervo.
           Sua imagem mais famosa é a do caldeirão de Gundestrup, um charmoso recipiente de prata de 36 centímetros de altura utilizado em rituais e que foi encontrado na Jutlândia, Dinamarca, quebrado em cinco pedaços. A peça foi reconstituída para que pudesse ser admirada em toda a sua beleza. Neste caldeirão, Cernunnos senta-se com as pernas cruzadas, com um torque no pescoço e outro na mão direita e segura uma serpente com a mão esquerda.
Das figuras que o acompanham, destacam-se um cervo de um lado e o que poderia ser um javali do outro lado. Também aparece um homem montado em um salmão — o peixe da sabedoria — e dois animais da mesma espécie que se enfrentam. Outro relevo em pedra — este encontrado no sudoeste da Inglaterra — o mostra com as pernas formadas por duas grandes serpentes com cabeça de carneiro sobre algumas bolsas de dinheiro colocadas ao lado do deus. Em uma moeda de prata inglesa, ele aparece com uma roda, signo solar, entre os chifres.
Os deuses com chifres são sempre identificados como entidades de sabedoria e de poder. Na Antigüidade, tais protuberâncias cefálicas podiam ser levadas apenas pelos mais viris, e não no sentido em que são entendidas vulgarmente nos dias de hoje, como indivíduos muito fortes e agressivos, mas no da própria etimologia latina. Um tipo viril era um homem com todas as letras, dotado de todas as qualidades presumíveis, mas demonstradas apenas por indivíduos reais: valor, honra, masculinidade, entre outros. Os chifres mostravam, além de tudo isso, que esse individuo desfrutava de sabedoria sobre o mundo.
Um conto popular gaélico fala sobre viajantes que chegam a uma ilha misteriosa na qual encontram apetitosas maçãs. Após mordê-las, chifres crescem em suas testas e eles passam a compreender muitas coisas que acontecem ao redor do mundo. Uma lenda escocesa afirma que tais chifres apareciam na cabeça dos melhores guerreiros quando eles se preparavam para o combate há muito tempo, ainda na “infância” da humanidade. Os vikings são popularmente mostrados como terríveis piratas que usavam capacetes com chifres. Porém, eles nunca levavam adornos semelhantes aos combates, pois isso representaria um grande incômodo se realmente o fizessem. Na verdade, utilizavam capacetes lisos, quase sem ornamentos, muito mais práticos. Os capacetes com chifres eram utilizados apenas em cerimônias religiosas. Uma das famosas esculturas de um dos maiores artistas de todos os tempos, Michelangelo Buonarrotti, é sua representação de Moisés. A obra, que data do século XVI, mostra dois chifres e encontra-se na basílica de São Pedro, em Roma.

 Os símbolos dessa divindade
são a cor dourada, chifres
ou galhadas,o veado, as
cobras, as sementes,
os grãos e a foice.

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Niamh

terça-feira, maio 19th, 2015

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 Na mitologia celta, Niamh (conhecida como Niamh do Cabelo Dourado) era filha do deus do mar Manannan  Mac Lir e uma das rainhas de Tír na nÓg, a Terra da Eterna Juventude. Sua lenda está diretamente ligada a de  Oisin, filho de Fionn mac Cumhaill e um dos maiores poetas da antiga Irlanda.
 Oisin era membro de um grupo de heróis conhecido como Fianna, possuidores de grande força, coragem e  destreza, tanto para a caça como para as artes guerreiras. Eles também viviam sob um código moral de valores  elevadíssimos. Certo dia enquanto caçavam, os Fianna foram abordados por uma mulher de beleza incrível,  montada em um belo cavalo branco. A mulher apresentou-se a eles como Niamh do Cabelo Dourado, filha de  Manannan,  rei de Tír na nÓg, e ela tinha vindo até ali para se casar com Oisin.
 Oisin, aproximou-se de Niamh e perguntou-lhe que tipo de terra era Tír na nÓg. Niamh descreveu-a como um  lugar encantador, onde ninguém jamais adoecia ou envelhecia, terra na qual todos os desejos se  concretizavam. Sem hesitar, Oisin despediu-se do pai ,dos amigos e saltou para o dorso do cavalo dela,  prometendo-lhes voltar um dia. Com muita tristeza, os Fianna viram o cavalo branco de Niamh galopando em  direção ao mar, e levando consigo o seu herói. O grupo sossegou-se, lembrando do que Oisin tinha prometido  retornar.
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Em Tir na nÓg, Oisin e Niamh tinham uma vida magnífica, cheia de alegria e amor. No entanto, aquela vida fantástica não foi capaz de apagar de Oisin as memórias do seu passado e este começou a sentir saudades dos amigos e familiares que tanto o amavam. Niamh percebeu a angustia de Oisin em querer visitar à terra dos mortais e então cedeu-lhe um cavalo mágico para que ele pudesse matar as saudades que sentia, mas alertou-o para jamais tocar o solo enquanto estivesse lá, ou jamais poderia voltar à Tír na nÓg.Após prometer que não tocaria a terra, Oisin cavalgou para a Irlanda nas asas do vento. E como predisse Niamh, Erin havia mudado. Ao encontrar uma vila, Oisin indagou por Dagda e os Fianna, e recebeu a resposta de que esses eram nomes de contos de fada, lendas usadas para assustar crianças. Ouviu ainda que São Patrício havia chegado e mudado tudo, agora homens rezavam ao Deus único e seguiam as palavras dos apóstolos de Seu filho. A própria forma dos homens havia mudado. Eram anões comparados com os de sua época. Doenças dominavam seus corpos e vícios suas mentes. Cavalgando pela ilha viu trinta homens tentando em vão levantar uma placa de mármore. Oisin, em sua bondade se aproximou e ofereceu ajuda, levantando facilmente a pesada placa acima de sua cabeça. A sela não agüentou o peso e cedeu, arrebentando as amarras e lançando o guerreiro ao solo. Assim que Oisin tocou com os pés a terra, o cavalo elfico desapareceu. O guerreiro, perdendo a juventude mantida por encanto de Tír na nÓg,  levantou-se como um retorcido ancião, de cabelos brancos e cego. Assim, Oisin nunca mais pode retornar a Tír na nÓg, e sua amada Niamh nunca mais pode ver seu amado.

Muitas lendas recontam como St. Patrick encontrou Oisin, contorcendo-se no chão em sua velhice desamparada e o levou para sua casa. O santo fez o melhor que pôde para converter Oisin ao cristianismo, descrevendo as maravilhas do céu que poderiam ser suas se ele apenas se arrependesse. Mas Oisin respondeu que ele não poderia conceber um paraíso que não se orgulhasse em receber os fenianos, caso eles quisessem entrar, ou um Deus que não estivesse honrado em tê-los entre seus amigos

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Halloween

quinta-feira, agosto 29th, 2013

Origem histórica:

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O primeiro registos do termo “Halloween” é de cerca 1745. Derivou da contração do termo escocês “Allhallow-even” (véspera de Todos os Santos) que era a noite das bruxas.
Posto que, entre o pôr-do-sol do dia 31 de outubro e 1° de novembro, ocorria à noite sagrada (hallow evening, em inglês), acredita-se que assim se deu origem ao nome atual da festa: Hallow Evening → Hallowe’en → Halloween. Rapidamente se conclui que o termo “Dia das bruxas” não é utilizado pelos povos de língua inglesa, sendo essa uma designação apenas dos povos de língua latina.
Outra hipótese é que a Igreja Católica tenha tentado eliminar a festa pagã do Samhain (o Ano novo céltico) instituindo restrições na véspera do Dia de Todos os Santos. Este dia seria conhecido nos países de língua inglesa como All Hallows’ Eve.
Essa designação se perpetuou e a comemoração do halloween, levada até aos Estados Unidos pelos emigrantes irlandeses no século XIX, ficou assim conhecida como “dia das bruxas”.
Alguns bruxos acreditam ainda que a origem do nome vem da palavra hallowinas – nome dado às guardiãs femininas do saber oculto das terras do norte (Escandinávia).
O Halloween marcava o fim oficial do verão e o início do ano-novo. Celebrava também o final da terceira e última colheita do ano, o início do armazenamento de provisões para o inverno, o início do período de retorno dos rebanhos do pasto e a renovação de suas leis. Era uma festa com vários nomes dependendo da região: Samhain, Samhein, La Samon, ou ainda, Festa do Sol.
A lenda:
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Uma das lendas de origem celta fala que os espíritos de todos que morreram ao longo daquele ano voltariam à procura de corpos vivos para possuir e usar pelo próximo ano. Os celtas acreditavam ser a única chance de vida após a morte. Os celtas acreditavam que nessa data as leis de espaço e tempo permitiam que o mundo dos espíritos se misturasse com o dos vivos.
Como os vivos não queriam ser possuídos, na noite do dia 31 de outubro, apagavam as tochas e fogueiras de suas casas, para que elas se tornassem frias e desagradáveis, colocavam fantasias e ruidosamente desfilavam em torno do bairro, sendo tão destrutivos quanto possível, a fim de assustar os que procuravam corpos para possuir.
“Gostosuras ou Travessuras?”:
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A brincadeira de “doces ou travessuras” é originária de um costume europeu do século IX, chamado de “souling” (almejar). No dia 2 de novembro, Dia de Todas as Almas, os cristãos iam de vila em vila pedindo “soul cakes” (bolos de alma), que eram feitos de pequenos quadrados de pão com groselha.
Para cada bolo que ganhasse, a pessoa deveria fazer uma oração por um parente morto do doador. Acreditava-se que as almas permaneciam no limbo por certo tempo após sua morte e que as orações ajudavam-na a ir para o céu.
Jack O’Lantern:
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A vela na abóbora provavelmente tem sua origem no folclore irlandês. Um homem chamado Jack, um alcoólatra grosseiro, em um 31 de outubro bebeu excessivamente e o diabo veio levar sua alma. Desesperado, Jack implora por mais um copo de bebida e o diabo concede. Jack estava sem dinheiro para o último trago e pede ao Diabo que se transforme em uma moeda. O Diabo concorda. Mal vê a moeda sobre a mesa, Jack guarda-a na carteira, que tem um fecho em forma de cruz. Desesperado, o Diabo implora para sair e Jack propõe um trato: libertá-lo em troca de ficar na Terra por mais um ano inteiro. Sem opção, o Diabo concorda. Feliz com a oportunidade, Jack resolve mudar seu modo de agir e começa a tratar bem a esposa e os filhos, vai à igreja e faz até caridade. Mas a mudança não dura muito tempo, não.
No próximo ano, na noite de 31 de outubro, Jack está indo para casa quando o Diabo aparece. Jack, esperto como sempre, convence o diabo a pegar uma maçã de uma árvore. O diabo aceita e quando sobe no primeiro galho, Jack pega um canivete em seu bolso e desenha uma cruz no tronco. O diabo promete partir por mais dez anos. Sem aceitar a proposta, Jack ordena que o diabo nunca mais o aborreça. O diabo aceita e Jack o liberta da árvore.
Para seu azar, um ano mais tarde, Jack morre. Tenta entrar no céu, mas sua entrada é negada. Sem alternativa, vai para o inferno. O diabo, ainda desconfiado e se sentindo humilhado, também não permite sua entrada. Mas, com pena da alma perdida, o diabo joga uma brasa para que Jack possa iluminar seu caminho pelo limbo. Jack põe a brasa dentro de um nabo para que dure mais tempo e sai perambulando. (Os nabos na Irlanda eram usados como suas “lanternas do Jack” originalmente, mas quando os imigrantes vieram para a América, eles acharam que as abóboras eram muito mais abundantes que nabos. Então Jack O’Lantern, na América passa a ser uma abóbora, iluminada com uma brasa.)
Sua alma penada passa a ser conhecida como Jack O’Lantern (Jack da Lanterna). Quem presta atenção vê uma luzinha fraca na noite de 31 de outubro. É Jack, procurando um lugar.
Bruxas:
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As bruxas têm papel importantíssimo no Halloween. Não é à toa que ela é conhecida como “Dia das Bruxas” em português. Segundo várias lendas, as bruxas se reuniam duas vezes por ano, durante a mudança das estações: no dia 30 de abril e no dia 31 de outubro. Chegando em vassouras voadoras, as bruxas participavam de uma festa chefiada pelo próprio Diabo. Elas jogavam maldições e feitiços em qualquer pessoa, transformavam-se em várias coisas e causavam todo tipo de transtorno.

Diz-se também que para encontrar uma bruxa era preciso colocar suas roupas do avesso e andar de costas durante a noite de Halloween. Então, à meia-noite, você veria uma bruxa!

A crença em bruxas chegou aos Estados Unidos com os primeiros colonizadores. Lá, elas se espalharam e misturaram-se com as histórias de bruxas contadas pelos índios norte-americanos e, mais tarde, com as crenças na magia negra trazidas pelos escravos africanos.

O gato preto é constantemente associado às bruxas. Lendas dizem que bruxas podem transformar-se em gatos. Algumas pessoas acreditavam que os gatos eram os espíritos dos mortos. Muitas superstições estão associadas aos gatos pretos. Uma das mais conhecidas é a de que se um gato preto cruzar seu caminho, você deve voltar pelo caminho de onde veio, pois se não o fizer, é azar na certa.

 

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Boinas Vermelhas

terça-feira, janeiro 1st, 2013

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Boina Vermelha (do inglês Redcap, também conhecido como PowrieDunter, Chapéu Sangrento, Barrete Vermelho) é uma criatura originária do folclore celta/escocês. Os Boinas Vermelhas são essencialmente uma espécie de anão, duende, fada ou elfo assassino, que habitam e assombram castelos ou torres arruinadas. São seres de baixa estatura, com pouco ou nenhum cabelo, dentes irregulares, garras afiadas, pele enrugada, olhos vermelhos, e às vezes tem barba. Eles usam botas de ferro, bastões pontiagudos e seus chapéus são embebidos com o sangue de suas vítimas (daí o seu nome).

 

Eles costumam habitar castelos ou ruínas com um passado obscuro (lugares assolados por guerras, fome, etc), e ficam à espreita de viajantes curiosos virem à sua ”casa” para matá-los. Para matar os intrusos, Boinas Vermelhas, muitas vezes, rolam pedras para esmagá-lo, ou simplesmente os rasgam com suas garras. Os Boinas Vermelhas bebem o sangue de suas vítimas, e tingem seus chapéus com o sangue delas. Se o sangue de sua boina secar, a maléfica criatura morre.
Um sinal de que um Boina Vermelha está por perto é ouvir um som estranho, semelhante ao moer de linho. O aumento repentino deste som é um sinal de morte ou infortúnio. É praticamente impossível correr de um Boina Vermelha, apesar deles usarem botas de ferro, que teoricamente deveriam deixá-los mais lentos. A única maneira de escapar de um Boina Vermelha é citar passagens bíblicas, o que fará com que a criatura sinta uma dor intensa e fuja.

A lenda de Robin Redcap

Robin Redcap é o mais famoso boina vermelha do folclore Inglês, um ser especialmente maléfico e o suposto familiar do infame Lorde William de Soulis. De acordo com as lendas locais, Robin Redcap, juntamente com seu mestre, foram responsáveis ​​por todo tipo de depravação e atos diabólicos. No entanto, Soulis, por todo o mal que operou, teve um fim muito horrível: ele foi levado ao Nine Stane Rigg, um círculo de pedras localizado a 2km do castelo Hermitage, onde ele foi envolto em chumbo e cozido até a morte em um grande caldeirão. Quanto ao próprio Robin Redcap, dizem ter desaparecido logo após a morte de seu mestre. Algumas versões afirmam que ele ainda pode ser visto no Castelo Hermitage, guardando seu tesouro.strigoi_by_skorganizedchaos-d5jnhr7