sexta, junho 01, 2018 06:45

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Cernunnos

segunda-feira, junho 22nd, 2015

 

CernunnosCernunnos é, com toda a probabilidade, a mais antiga divindade do panteão celta. Há sinais, inclusive, de que ele seja anterior às invasões celtas. Não podemos esquecer que, se boa parte da Europa foi colonizada por sua cultura, as zonas por eles controladas já estavam ocupadas por outros povos com os quais por força tiveram de fundir-se para subsistir, não havendo motivo para que suas crenças fossem aniquiladas.

       Independentemente de sua origem, Cernunnos, o deus de chifres, desempenha uma função importante não só por se tratar do Senhor dos Animais — domésticos ou selvagens —, mas também da Fertilidade e da Abundância — regulando as colheitas dos grãos e das frutas. Posteriormente, foi considerado também o deus do dinheiro. Os romanos quiseram identificá-lo com o seu Dis-Pater, que tinha influência sobre os mortos, apesar de as funções de Cernunnos não coincidirem por completo.

Sua primeira representação conhecida está presente em uma gravação sobre rocha datada do século IV a.e.c. encontrada no norte da Itália. Ali ele já aparece como um ser de aspecto antropomorfo, dotado de dois chifres na cabeça e dois torques em cada braço. O torque — uma espécie de colar torcido com as extremidades em forma de argola — é um atributo de poder e às vezes de realeza utilizado pelos grandes chefes ou pelos guerreiros mais destacados para que fossem identificados como mestres na sociedade celta e devia ser colocado apenas no pescoço ou nos braços: trata-se de uma série de tiras de metais preciosos entrelaçados em meio a um charmoso desenho em espiral nas formas de colar e pulseira que não fechavam.
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          Ao lado da imagem de Cernunnos encontrada no norte da Itália estava desenhada uma serpente — símbolo da fertilidade, do renascimento e da sabedoria que mais tarde foi satanizado — com cabeça de carneiro e uma figura com o pênis ereto — concedendo uma idéia de ferocidade. Imagens similares podem ser encontradas em toda a Europa.
           Freqüentemente é representado acompanhado por animais, principalmente cervos e touros, que se alimentam de um grande saco que tem em seu poder, ou por serpentes que se alimentam da fruta oferecida entre suas pernas. Em algumas ocasiões, aparece sentado na posição de Buda. Encontramos seu nome escrito em apenas uma ocasião: em um relevo em sua homenagem elaborado por marinheiros do inicio do século II d.e.c., no qual, além dos chifres, o deus tem orelhas de cervo.
           Sua imagem mais famosa é a do caldeirão de Gundestrup, um charmoso recipiente de prata de 36 centímetros de altura utilizado em rituais e que foi encontrado na Jutlândia, Dinamarca, quebrado em cinco pedaços. A peça foi reconstituída para que pudesse ser admirada em toda a sua beleza. Neste caldeirão, Cernunnos senta-se com as pernas cruzadas, com um torque no pescoço e outro na mão direita e segura uma serpente com a mão esquerda.
Das figuras que o acompanham, destacam-se um cervo de um lado e o que poderia ser um javali do outro lado. Também aparece um homem montado em um salmão — o peixe da sabedoria — e dois animais da mesma espécie que se enfrentam. Outro relevo em pedra — este encontrado no sudoeste da Inglaterra — o mostra com as pernas formadas por duas grandes serpentes com cabeça de carneiro sobre algumas bolsas de dinheiro colocadas ao lado do deus. Em uma moeda de prata inglesa, ele aparece com uma roda, signo solar, entre os chifres.
Os deuses com chifres são sempre identificados como entidades de sabedoria e de poder. Na Antigüidade, tais protuberâncias cefálicas podiam ser levadas apenas pelos mais viris, e não no sentido em que são entendidas vulgarmente nos dias de hoje, como indivíduos muito fortes e agressivos, mas no da própria etimologia latina. Um tipo viril era um homem com todas as letras, dotado de todas as qualidades presumíveis, mas demonstradas apenas por indivíduos reais: valor, honra, masculinidade, entre outros. Os chifres mostravam, além de tudo isso, que esse individuo desfrutava de sabedoria sobre o mundo.
Um conto popular gaélico fala sobre viajantes que chegam a uma ilha misteriosa na qual encontram apetitosas maçãs. Após mordê-las, chifres crescem em suas testas e eles passam a compreender muitas coisas que acontecem ao redor do mundo. Uma lenda escocesa afirma que tais chifres apareciam na cabeça dos melhores guerreiros quando eles se preparavam para o combate há muito tempo, ainda na “infância” da humanidade. Os vikings são popularmente mostrados como terríveis piratas que usavam capacetes com chifres. Porém, eles nunca levavam adornos semelhantes aos combates, pois isso representaria um grande incômodo se realmente o fizessem. Na verdade, utilizavam capacetes lisos, quase sem ornamentos, muito mais práticos. Os capacetes com chifres eram utilizados apenas em cerimônias religiosas. Uma das famosas esculturas de um dos maiores artistas de todos os tempos, Michelangelo Buonarrotti, é sua representação de Moisés. A obra, que data do século XVI, mostra dois chifres e encontra-se na basílica de São Pedro, em Roma.

 Os símbolos dessa divindade
são a cor dourada, chifres
ou galhadas,o veado, as
cobras, as sementes,
os grãos e a foice.

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Cécrops (Cecrópe)

sábado, agosto 3rd, 2013

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Cécrops (ou Cécrope) foi o governante de um antigo reino conhecido como Ática e ele é creditado como o fundador de Atenas. Cécrops era metade homem e metade peixe ou serpente. Este grande rei de Atenas foi um herói cultural que não lutou grandes batalhas ou conquistou vastas terras. Cécrops ensinou aos atenienses sobre o casamento, a literatura e como enterrar corretamente seus mortos. A fundação real de Atenas está perdida na bruma dos tempos. Ele não aparece registrada na história até o século 7 a.C. , quando já existia há muito tempo.
Cécrops tem um início incomum mesmo para uma criatura mitológica. Cécrops nasceu de uma aparente tentativa de estupro da deusa Atena . Um dia Atena visitou a loja de um ferreiro para obter algumas armas. O proprietário desta loja era Hefesto, o deus dos ferreiros. Quando Hefesto viu Atena, ele foi tomado pela luxúria ao ponto de ele querer imediatamente ter relações com Atena. Atena era uma deusa virgem e ela não sucumbiria aos seus desejos, então ela fugiu de Hefesto, que a perseguiu.

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Hefesto era um deus que tinha uma deformidade que não lhe permitia se mover muito bem, mas mesmo assim ele foi capaz de alcançar Atena. Ele estava tão excitado em seu desejo por ela que quando ele a agarrou, algumas gotas do seu sêmen caíram sobre sua perna. Atena conseguiu fugir de Hefesto novamente, sem que ele conseguisse consumar seu desejo, e quando ela percebeu que seu sêmen havia caído em sua perna, ela o limpou de seu corpo com muito nojo. Quando o sêmen de Hefesto atingiu o solo, Cécrops surgiu a partir da Terra.
Ninguém sabia sobre Cécrops além de Atena, e ela criou Cécrops em segredo. Ela colocou-o dentro de uma caixa e depois ela o entregou às filhas do rei Cecrópia. Eventualmente, duas das princesas foram superadas pela curiosidade e abriram a caixa. Uma vez que a caixa foi aberta e seu conteúdo foi revelado, as meninas ficaram chocadas com o que viram. Elas viram um bebezinho que era metade homem e metade réptil/peixe. As princesas então enlouqueceram e dependendo da versão da história, suicidaram-se ou foram mortas pelo bebê. De toda forma, elas morreram após  ver Cécrops em sua forma infantil.
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Após este incidente, Atena pegou Cécrops de volta e o enviou para uma colina rochosa chamada Acrópole. De acordo com algumas versões do mito , Atena fez esta colina para Cécrops, construindo-a a partir de pedras que ela encontrou no mar Pallini. Cécrops eventualmente cresceu até a idade adulta e a esta altura ele estava pronto para governar Cecrópia .
Cecrópia era o nome do rei da Ática e a cidade que ele governou (Cecrópia) acabaria por se tornar Atenas. Um dia, Atena e Poseidon estavam discutindo sobre quem iria dar o nome da cidade. Eles decidiram liquidar o debate, dando presentes divinos para o povo de Cecrópia e disseram a Cécrops que ele deveria escolher um dos seus dons que ele julgasse ser o melhor. A cidade recebia o nome do vencedor da disputa.
Poseidon bateu seu tridente no chão e da fenda formada começou a jorrar água, formando uma fonte. Este foi o seu presente para o povo de Cecrópia . Atena, em seguida, bateu no chão com um bastão e uma oliveira surgiu a partir da Terra. A árvore representava comida, sabedoria e paz. Esse foi o presente de Atena para o povo de Cecrópia .
Cécrops tinha que pensar bem sobre qual presente era o melhor e levou um longo tempo para isso. Ele eventualmente bebeu um pouco da água que Poseidon criou, mas ela era salgada, e inútil para o consumo. Depois de provar a água, ele decidiu que o presente de Atena era o melhor. Ele também alegou que a área de Cecrópia tinha muito molas, mas não que muitas oliveiras. Então Atena venceu o concurso e foi a cidade de Cecrópia foi renomeada como Atenas. Eventualmente Atena colocou Cécrops no trono como rei e lhe deu sabedoria sobre as questões da vida, da sociedade e da administração civil. Ela também lhe ensinou como realizar cerimônias religiosas aos deuses e se tornou a principal divindade da cidade. Ele, então, ensinou aos atenienses como serem civilizados e cultos. Poseidon ficou com raiva por ter perdido o concurso e amaldiçoou a cidade, dando-lhe falta de água constante em toda a sua história.

Chronos (Deus)

quinta-feira, outubro 11th, 2012

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Na mitologia grega, Chronos (em grego antigo Χρόνος, que significa “tempo”; em latim Chronus) era a personificação do tempo segundo se diz nas obras filosóficas pré-socráticas. Também era habitual chamar-lheEón ou Aión (em grego Αίών, “tempo eterno”).

 

Os gregos antigos tinham duas palavras para o tempo: chronos kairos. Enquanto chronos refere-se ao tempo cronológico, ou sequencial, que pode ser medido, kairos refere-se a um momento indeterminado no tempo, em que algo especial acontece. Na Teologia cristã, é “o tempo de Deus”. 

 

Chronos tem sido frequentemente confundido com o titã Cronos, especialmente durante o período alexandrino e renascentista. 

 

De acordo com os mitos gregos, Chronos era o deus das Idades (desde a Dourada até a de Bronze). Chronos surgiu no princípio dos tempos, formado por si mesmo. Era um ser incorpóreo e serpentino possuindo três cabeças, uma de homem, uma de touro e outra de leão. Uniu-se à sua companheira Ananke (a inevitabilidade) numa espiral em volta do ovo primogênito separando-o, formando então o Universo ordenado com a Terra, o mar e o céu. 

 

Permaneceu como um deus remoto e sem corpo, do tempo, que rodeava o Universo, conduzindo a rotação dos céus e o caminhar eterno do tempo, aparecendo ocasionalmente perante Zeus sobre a forma de um homem idoso de longos cabelose barba brancos, embora permanecesse a maior parte do tempo em forma de uma força para além do alcance e do poder dos deuses mais jovens. 

 

Na tradição órfica, Chronos era filho de Hydros e Thesis. Junto con Ananke, era pai de Caos, Marmarugas,Skotos e Fanes. Outras fontes afirmam que era pai das Horas e, com Melana, de Ama. 

 

Nos mosaicos Greco-romanos era representado como um homem girando a roda zodiacal.

 

Cuero

segunda-feira, julho 9th, 2012

El-Cuero

 

O Cuero (em espanhol El Cuero, “A Pele de Vaca“) é uma perigosa criatura vampírica que, de acordo com os relatos, habita em lagos e rios do arquipélago de Chiloé, no Chile. Ele se assemelha a uma grande tira de couro bovina, com garras nas pontas e um par de olhos saltados. Na parte de baixo do seu corpo, mais precisamente no centro, a criatura possui uma boca que parece uma grande ventosa com a qual suga até a última gota de sangue de suas vítimas, que podem ser tanto humanos quanto animais.
Ele se desloca suavemente pela face das águas a procura de alimento. Assim que identifica um alvo, ele o hipnotiza, e se estiver ao seu alcance, ele irá rapidamente envolvê-lo, arrastando-o para o fundo do rio ou lagoa, onde irá sugar seu sangue e depois devorá-lo.
De acordo com as lendas, o único meio de deter o Cuero é com a ajuda de um mago, que por meio de rituais atrai o Cuero para a margem das águas, e atira nele ramos decalafate (arbusto de duríssimos espinhos com frutos doces e azuis). O Cuero, cego pelo feitiço do mago, pensa que o ramo de espinhos é uma presa e o envolve. Assim que o Cuero aperta os ramos com força, os espinhos se enterram em seu corpo, dilacerando-o.