sŠbado, junho 02, 2018 01:41

Archive for junho, 2015

Cernunnos

segunda-feira, junho 22nd, 2015

 

CernunnosCernunnos √©, com toda a probabilidade, a mais antiga divindade do pante√£o celta. H√° sinais, inclusive, de que ele seja anterior √†s invas√Ķes celtas. N√£o podemos esquecer que, se boa parte da Europa foi colonizada por sua cultura, as zonas por eles controladas j√° estavam ocupadas por outros povos com os quais por for√ßa tiveram de fundir-se para subsistir, n√£o havendo motivo para que suas cren√ßas fossem aniquiladas.

¬† ¬† ¬† ¬†Independentemente de sua origem, Cernunnos, o deus de chifres, desempenha uma fun√ß√£o importante n√£o s√≥ por se tratar do Senhor dos Animais ‚ÄĒ dom√©sticos ou selvagens ‚ÄĒ, mas tamb√©m da Fertilidade e da Abund√Ęncia ‚ÄĒ regulando as colheitas dos gr√£os e das frutas. Posteriormente, foi considerado tamb√©m o deus do dinheiro. Os romanos quiseram identific√°-lo com o seu Dis-Pater, que tinha influ√™ncia sobre os mortos, apesar de as fun√ß√Ķes de Cernunnos n√£o coincidirem por completo.

Sua primeira representa√ß√£o conhecida est√° presente em uma grava√ß√£o sobre rocha datada do s√©culo IV a.e.c. encontrada no norte da It√°lia. Ali ele j√° aparece como um ser de aspecto antropomorfo, dotado de dois chifres na cabe√ßa e dois torques em cada bra√ßo. O torque ‚ÄĒ uma esp√©cie de colar torcido com as extremidades em forma de argola ‚ÄĒ √© um atributo de poder e √†s vezes de realeza utilizado pelos grandes chefes ou pelos guerreiros mais destacados para que fossem identificados como mestres na sociedade celta e devia ser colocado apenas no pesco√ßo ou nos bra√ßos: trata-se de uma s√©rie de tiras de metais preciosos entrela√ßados em meio a um charmoso desenho em espiral nas formas de colar e pulseira que n√£o fechavam.
Cernunnos_by_amarys
¬† ¬† ¬† ¬† ¬† Ao lado da imagem de Cernunnos encontrada no norte da It√°lia estava desenhada uma serpente ‚ÄĒ s√≠mbolo da fertilidade, do renascimento e da sabedoria que mais tarde foi satanizado ‚ÄĒ com cabe√ßa de carneiro e uma figura com o p√™nis ereto ‚ÄĒ concedendo uma id√©ia de ferocidade. Imagens similares podem ser encontradas em toda a Europa.
¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬†Freq√ľentemente √© representado acompanhado por animais, principalmente cervos e touros, que se alimentam de um grande saco que tem em seu poder, ou por serpentes que se alimentam da fruta oferecida entre suas pernas. Em algumas ocasi√Ķes, aparece sentado na posi√ß√£o de Buda. Encontramos seu nome escrito em apenas uma ocasi√£o: em um relevo em sua homenagem elaborado por marinheiros do inicio do s√©culo II d.e.c., no qual, al√©m dos chifres, o deus tem orelhas de cervo.
¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬†Sua imagem mais famosa √© a do caldeir√£o de Gundestrup, um charmoso recipiente de prata de 36 cent√≠metros de altura utilizado em rituais e que foi encontrado na Jutl√Ęndia, Dinamarca, quebrado em cinco peda√ßos. A pe√ßa foi reconstitu√≠da para que pudesse ser admirada em toda a sua beleza. Neste caldeir√£o, Cernunnos senta-se com as pernas cruzadas, com um torque no pesco√ßo e outro na m√£o direita e segura uma serpente com a m√£o esquerda.
Das figuras que o acompanham, destacam-se um cervo de um lado e o que poderia ser um javali do outro lado. Tamb√©m aparece um homem montado em um salm√£o ‚ÄĒ o peixe da sabedoria ‚ÄĒ e dois animais da mesma esp√©cie que se enfrentam. Outro relevo em pedra ‚ÄĒ este encontrado no sudoeste da Inglaterra ‚ÄĒ o mostra com as pernas formadas por duas grandes serpentes com cabe√ßa de carneiro sobre algumas bolsas de dinheiro colocadas ao lado do deus. Em uma moeda de prata inglesa, ele aparece com uma roda, signo solar, entre os chifres.
Os deuses com chifres s√£o sempre identificados como entidades de sabedoria e de poder. Na Antig√ľidade, tais protuber√Ęncias cef√°licas podiam ser levadas apenas pelos mais viris, e n√£o no sentido em que s√£o entendidas vulgarmente nos dias de hoje, como indiv√≠duos muito fortes e agressivos, mas no da pr√≥pria etimologia latina. Um tipo viril era um homem com todas as letras, dotado de todas as qualidades presum√≠veis, mas demonstradas apenas por indiv√≠duos reais: valor, honra, masculinidade, entre outros. Os chifres mostravam, al√©m de tudo isso, que esse individuo desfrutava de sabedoria sobre o mundo.
Um conto popular ga√©lico fala sobre viajantes que chegam a uma ilha misteriosa na qual encontram apetitosas ma√ß√£s. Ap√≥s mord√™-las, chifres crescem em suas testas e eles passam a compreender muitas coisas que acontecem ao redor do mundo. Uma lenda escocesa afirma que tais chifres apareciam na cabe√ßa dos melhores guerreiros quando eles se preparavam para o combate h√° muito tempo, ainda na ‚Äúinf√Ęncia‚ÄĚ da humanidade. Os vikings s√£o popularmente mostrados como terr√≠veis piratas que usavam capacetes com chifres. Por√©m, eles nunca levavam adornos semelhantes aos combates, pois isso representaria um grande inc√īmodo se realmente o fizessem. Na verdade, utilizavam capacetes lisos, quase sem ornamentos, muito mais pr√°ticos. Os capacetes com chifres eram utilizados apenas em cerim√īnias religiosas. Uma das famosas esculturas de um dos maiores artistas de todos os tempos, Michelangelo Buonarrotti, √© sua representa√ß√£o de Mois√©s. A obra, que data do s√©culo XVI, mostra dois chifres e encontra-se na bas√≠lica de S√£o Pedro, em Roma.

 Os símbolos dessa divindade
s√£o a cor dourada, chifres
ou galhadas,o veado, as
cobras, as sementes,
os gr√£os e a foice.

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Bergelmir

segunda-feira, junho 1st, 2015

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¬† ¬† ¬† Na mitologia n√≥rdica, Bergelmir √© um dos jotunn (gigantes de gelo), filho de Thrudgelmir e neto de ¬†Ymir, ¬†o primeiro gigante. Ymir foi morto por Odin e seus irm√£os, e o sangue que verteu dos ferimentos de ¬†seu ¬†corpo era tamanho que acabou causando um verdadeiro dil√ļvio. Muitos jotunns morreram durante a ¬†inunda√ß√£o, e sua ra√ßa teria sido extinta se Bergelmir e sua esposa n√£o tivessem usado um tronco oco de ¬†√°rvore como jangada e assim se salvarem. Juntos, chegaram at√© Jotunheim e l√° eles recome√ßaram sua vida ¬†e deram continuidade a ra√ßa dos gigantes de gelo.
      Desde então, a inimizade estabeleceu-se, definitivamente, entre deuses e gigantes, cada qual vivendo  livremente em seu território, mas sempre alerta contra o inimigo.