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dezembro 13th, 2015


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dezembro 13th, 2015

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Nótt

dezembro 9th, 2015

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N√≥tt (“noite” em n√≥rdico antigo)¬†√© a deusa n√≥rdica que personifica a noite, al√©m de av√≥ materna do deus do trov√£o Thor.¬†Sua origem e natureza s√£o descritas no Gylfaginning (“O Engano de Gylf”), a 1¬ļ parte da Edda em prosa escrita por Snorri Sturluson em torno de 1220. A deusa √©¬†geralmente retratada como uma mulher madura com pele escura e usando trajes escuros.
De acordo com o Gylfaginning, N√≥tt era filha de um jotunn chamado N√∂rfi¬†( tamb√©m¬†Narfi ou N√∂rr). Ela teve tr√™s maridos e com cada um deles teve um filho. Seu¬†primeiro marido foiNaglfari, com quem teve um filho chamado Audr,¬†depois casou-se com Annar,¬†com quem teve uma filha chamada J√∂rd (“Terra”)¬†e, por √ļltimo, casou-se com um membro da classe dos Aesir,¬†Dellingr,¬†com quem teve um filho chamado Dagr (“Dia”). ¬†N√≥tt e Dagr receberam de Odin dois cavalos e duas carruagens e foram colocados no c√©u, de modo de eles cavalgariam ao redor¬†do mundo a cada doze horas. N√≥tt cavalga durante a noite sobre seu cavalo chamado Hr√≠mfaxi (“Crina¬†Gelada”) que ao amanhecer orvalha a terra com a espuma de seu freio. J√° Darg cavalga durante o dia sobre o seu cavalo chamado Skinfaxi (“Crina Brilhante”), que ilumina a terra e o c√©u com o brilho de sua crina.

 

 

 

 

 

 

baal

novembro 26th, 2015
baalAlgumas representa√ß√Ķes de Baal-Habab

Vamos conhecer agora a hist√≥ria de “Baal”, o deus cananeu tantas vezes citado no Antigo Testamento da B√≠blia; um mito important√≠ssimo por muito tempo na terra de Cana√£ e em regi√Ķes vizinhas.Desde a d√©cada de quarenta, a arqueologia tem possibilitado conhecer cada vez maissobre os povos antigos do oriente, principalmente o povo cananeu e sua religi√£o. Descobertas arqueol√≥gicas no local da antiga cidade de “Ugarit” mostraram centenas de placas de barro pertencentes √† biblioteca do templo de “Ras Sharma”. Esses textos religiosos provam que a oposi√ß√£o contra a qual a tradi√ß√£o de Mois√©s teve que lutar n√£o era uma simples aglomera√ß√£o de pequenos cultos de fertilidade presididos por insignificantes deuses e deusas, mas, pelo contr√°rio, um dos mais elaborados sistemas religiosos do mundo antigo. A religi√£o dos cananeus j√° era bem difundida e j√° estava estabelecida na Palestina antes da conquista israelita. Era uma religi√£o com ritos bem elaborados e se identificava com os interesses de uma popula√ß√£o agr√≠cola. A religi√£o dos cananeus era identificada com a natureza e tinha por objetivo ensinar os homens a cooperarem e a controlarem o ciclo das esta√ß√Ķes.A hist√≥ria de Baal come√ßa com a batalha entre Baal e ‚ÄúYam-Nahar‚ÄĚ, o deus dos mares e rios. Ela est√° contada em pequenas t√°buas que datam do s√©culo XIV aC. Baal e Yam viviam ambos com ‚ÄúEl‚ÄĚ, o Sumo Deus cananeu. No conselho de El, Yam exige que Baal lhe seja entregue. Mas, durante a batalha, usando duas armas m√°gicas, Baal derrota Yam e est√° para mat√°-lo quando ‚ÄúAsherah‚ÄĚ (esposa de El e m√£e dos deuses) diz que √© desonroso matar um prisioneiro. Baal envergonha-se e poupa Yam. Nesta batalha, Yam-Nahar representa o aspecto hostil dos mares e rios que amea√ßam constantemente inundar a terra, enquanto Baal, o deus da tempestade, torna a terra f√©rtil.

Em outra vers√£o, Baal mata o drag√£o de sete cabe√ßas ‚ÄúLotan‚ÄĚ, chamado em hebraico de ‚ÄúLeviat√£‚ÄĚ. Em quase todas as culturas, o drag√£o simboliza o latente, o oculto e o informe diferenciado; portanto, com um ato verdadeiramente primitivo, Baal interrompeu o retorno √† informidade primal. Por essa raz√£o, √© recompensado com um belo pal√°cio, constru√≠do pelos deuses em sua honra. No in√≠cio da pr√≥pria hist√≥ria da religi√£o, portanto, a criatividade √© vista como divina. E na verdade n√≥s ainda usamos essa linguagem religiosa para falar da ‚Äúinspira√ß√£o criadora”, que refaz a realidade e traz novo sentido ao mundo. Assim acontece nas artes pl√°sticas, na m√ļsica, na literatura, no trabalho, nas rela√ß√Ķes humanas…

Mas Baal sofre uma invers√£o: morre e tem que descer ao mundo de ‚ÄúMot‚ÄĚ, o deus da morte e da esterilidade. Quando sabe do destino de seu filho, o Sumo Deus El desce de seu trono, veste uma tanga e retalha as faces, mas n√£o pode redimir o filho. √Č ‚ÄúAnat‚ÄĚ, irm√£ e amante de Baal, que deixa o reino divino e vai em busca dele, na verdade sua alma g√™mea, desejando-o, segundo o texto das t√°buas, ‚Äúcomo uma vaca deseja o seu bezerro e uma ovelha o seu cordeiro‚ÄĚ. Encontra o seu corpo, e ent√£o prepara e oferece aos deuses e homens um banquete f√ļnebre em sua honra: pega Mot, abre-o com sua espada, divide-o, queima-o e tritura-lhe ‚Äúcomo milho‚ÄĚ, antes de seme√°-lo ao ch√£o. √Č assim que Baal se torna o deus do vento e do clima. De acordo com o baalismo, era ele quem enviava orvalho, chuva e neve e, conseq√ľentemente, quem dava fertilidade para a terra. Os cananeus acreditavam que era por causa de Baal que, ano ap√≥s ano, a vegeta√ß√£o retornava ap√≥s a estiagem, as f√™meas dos animais tinham in√ļmeras crias e as mulheres davam filhos e filhas para seus maridos.

 

Hist√≥rias semelhantes s√£o contadas sobre as outras grandes deusas ‚Äď Inana, Ishtar e √ćsis ‚Äď que buscam um deus morto e d√£o vida nova ao solo. Os cananeus estabelecem, entretanto, que a vit√≥ria de Anat deve ser perpetuada, ano ap√≥s ano, em comemora√ß√£o ritual. Mais tarde ‚Äď n√£o podemos saber ao certo como, pois as fontes s√£o incompletas ‚Äď Baal √© trazido de volta √† vida e devolvido a Anat. √Č uma apoteose de realiza√ß√£o, inteireza e harmonia, simbolizada pela uni√£o dos sexos. E era celebrada numa grande festa, na antiga Cana√£, com rituais bacan√°licos, envolvendo sexo ritual, incesto e serpentes… n√£o admira que, no texto b√≠blico do Antigo Testamento, o povo de Israel seja admoestado a manter dist√Ęncia das pr√°ticas do povo de Cana√£…

Assim, ao imitarem os seus deuses, aqueles homens e mulheres acreditavam partilhar a luta deles contra a esterilidade e asseguravam a criatividade e a fertilidade do mundo. Mas a morte de um deus, a sua busca pela deusa e o posterior retorno triunfante à esfera divina eram temas religiosos presentes em muitas culturas antigas. Daí a completa originalidade da muito diferente religião do Deus Único adorado pelos hebreus. Uma novidade radical e inteiramente estranha, que exigia ascetismo, trazia regras de conduta moral e, mais do que isso, solicitava uma entrega amorosa. Uma proposta para um novo modo de vida, enfim; surgida num ambiente completamente hostil e que não conseguia compreendê-la. E que mesmo contra o tempo e todas as probabilidades naturais, superou tudo e todos e subsiste até os nossos dias.