domingo, agosto 05, 2018 11:27

Nótt

dezembro 9th, 2015

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Nótt (“noite” em nórdico antigo) é a deusa nórdica que personifica a noite, além de avó materna do deus do trovão Thor. Sua origem e natureza são descritas no Gylfaginning (“O Engano de Gylf”), a 1º parte da Edda em prosa escrita por Snorri Sturluson em torno de 1220. A deusa é geralmente retratada como uma mulher madura com pele escura e usando trajes escuros.
De acordo com o Gylfaginning, Nótt era filha de um jotunn chamado Nörfi ( também Narfi ou Nörr). Ela teve três maridos e com cada um deles teve um filho. Seu primeiro marido foiNaglfari, com quem teve um filho chamado Audr, depois casou-se com Annar, com quem teve uma filha chamada Jörd (“Terra”) e, por último, casou-se com um membro da classe dos Aesir, Dellingr, com quem teve um filho chamado Dagr (“Dia”).  Nótt e Dagr receberam de Odin dois cavalos e duas carruagens e foram colocados no céu, de modo de eles cavalgariam ao redor do mundo a cada doze horas. Nótt cavalga durante a noite sobre seu cavalo chamado Hrímfaxi (“Crina Gelada”) que ao amanhecer orvalha a terra com a espuma de seu freio. Já Darg cavalga durante o dia sobre o seu cavalo chamado Skinfaxi (“Crina Brilhante”), que ilumina a terra e o céu com o brilho de sua crina.

 

 

 

 

 

 

baal

novembro 26th, 2015
baalAlgumas representações de Baal-Habab

Vamos conhecer agora a história de “Baal”, o deus cananeu tantas vezes citado no Antigo Testamento da Bíblia; um mito importantíssimo por muito tempo na terra de Canaã e em regiões vizinhas.Desde a década de quarenta, a arqueologia tem possibilitado conhecer cada vez maissobre os povos antigos do oriente, principalmente o povo cananeu e sua religião. Descobertas arqueológicas no local da antiga cidade de “Ugarit” mostraram centenas de placas de barro pertencentes à biblioteca do templo de “Ras Sharma”. Esses textos religiosos provam que a oposição contra a qual a tradição de Moisés teve que lutar não era uma simples aglomeração de pequenos cultos de fertilidade presididos por insignificantes deuses e deusas, mas, pelo contrário, um dos mais elaborados sistemas religiosos do mundo antigo. A religião dos cananeus já era bem difundida e já estava estabelecida na Palestina antes da conquista israelita. Era uma religião com ritos bem elaborados e se identificava com os interesses de uma população agrícola. A religião dos cananeus era identificada com a natureza e tinha por objetivo ensinar os homens a cooperarem e a controlarem o ciclo das estações.

A história de Baal começa com a batalha entre Baal e “Yam-Nahar”, o deus dos mares e rios. Ela está contada em pequenas tábuas que datam do século XIV aC. Baal e Yam viviam ambos com “El”, o Sumo Deus cananeu. No conselho de El, Yam exige que Baal lhe seja entregue. Mas, durante a batalha, usando duas armas mágicas, Baal derrota Yam e está para matá-lo quando “Asherah” (esposa de El e mãe dos deuses) diz que é desonroso matar um prisioneiro. Baal envergonha-se e poupa Yam. Nesta batalha, Yam-Nahar representa o aspecto hostil dos mares e rios que ameaçam constantemente inundar a terra, enquanto Baal, o deus da tempestade, torna a terra fértil.

Em outra versão, Baal mata o dragão de sete cabeças “Lotan”, chamado em hebraico de “Leviatã”. Em quase todas as culturas, o dragão simboliza o latente, o oculto e o informe diferenciado; portanto, com um ato verdadeiramente primitivo, Baal interrompeu o retorno à informidade primal. Por essa razão, é recompensado com um belo palácio, construído pelos deuses em sua honra. No início da própria história da religião, portanto, a criatividade é vista como divina. E na verdade nós ainda usamos essa linguagem religiosa para falar da “inspiração criadora”, que refaz a realidade e traz novo sentido ao mundo. Assim acontece nas artes plásticas, na música, na literatura, no trabalho, nas relações humanas…

Mas Baal sofre uma inversão: morre e tem que descer ao mundo de “Mot”, o deus da morte e da esterilidade. Quando sabe do destino de seu filho, o Sumo Deus El desce de seu trono, veste uma tanga e retalha as faces, mas não pode redimir o filho. É “Anat”, irmã e amante de Baal, que deixa o reino divino e vai em busca dele, na verdade sua alma gêmea, desejando-o, segundo o texto das tábuas, “como uma vaca deseja o seu bezerro e uma ovelha o seu cordeiro”. Encontra o seu corpo, e então prepara e oferece aos deuses e homens um banquete fúnebre em sua honra: pega Mot, abre-o com sua espada, divide-o, queima-o e tritura-lhe “como milho”, antes de semeá-lo ao chão. É assim que Baal se torna o deus do vento e do clima. De acordo com o baalismo, era ele quem enviava orvalho, chuva e neve e, conseqüentemente, quem dava fertilidade para a terra. Os cananeus acreditavam que era por causa de Baal que, ano após ano, a vegetação retornava após a estiagem, as fêmeas dos animais tinham inúmeras crias e as mulheres davam filhos e filhas para seus maridos.

 

Histórias semelhantes são contadas sobre as outras grandes deusas – Inana, Ishtar e Ísis – que buscam um deus morto e dão vida nova ao solo. Os cananeus estabelecem, entretanto, que a vitória de Anat deve ser perpetuada, ano após ano, em comemoração ritual. Mais tarde – não podemos saber ao certo como, pois as fontes são incompletas – Baal é trazido de volta à vida e devolvido a Anat. É uma apoteose de realização, inteireza e harmonia, simbolizada pela união dos sexos. E era celebrada numa grande festa, na antiga Canaã, com rituais bacanálicos, envolvendo sexo ritual, incesto e serpentes… não admira que, no texto bíblico do Antigo Testamento, o povo de Israel seja admoestado a manter distância das práticas do povo de Canaã…

Assim, ao imitarem os seus deuses, aqueles homens e mulheres acreditavam partilhar a luta deles contra a esterilidade e asseguravam a criatividade e a fertilidade do mundo. Mas a morte de um deus, a sua busca pela deusa e o posterior retorno triunfante à esfera divina eram temas religiosos presentes em muitas culturas antigas. Daí a completa originalidade da muito diferente religião do

 

Deus Único adorado pelos hebreus. Uma novidade radical e inteiramente estranha, que exigia ascetismo, trazia regras de conduta moral e, mais do que isso, solicitava uma entrega amorosa. Uma proposta para um novo modo de vida, enfim; surgida num ambiente completamente hostil e que não conseguia compreendê-la. E que mesmo contra o tempo e todas as probabilidades naturais, superou tudo e todos e subsiste até os nossos dias.

Cernunnos

junho 22nd, 2015

 

CernunnosCernunnos é, com toda a probabilidade, a mais antiga divindade do panteão celta. Há sinais, inclusive, de que ele seja anterior às invasões celtas. Não podemos esquecer que, se boa parte da Europa foi colonizada por sua cultura, as zonas por eles controladas já estavam ocupadas por outros povos com os quais por força tiveram de fundir-se para subsistir, não havendo motivo para que suas crenças fossem aniquiladas.

       Independentemente de sua origem, Cernunnos, o deus de chifres, desempenha uma função importante não só por se tratar do Senhor dos Animais — domésticos ou selvagens —, mas também da Fertilidade e da Abundância — regulando as colheitas dos grãos e das frutas. Posteriormente, foi considerado também o deus do dinheiro. Os romanos quiseram identificá-lo com o seu Dis-Pater, que tinha influência sobre os mortos, apesar de as funções de Cernunnos não coincidirem por completo.

Sua primeira representação conhecida está presente em uma gravação sobre rocha datada do século IV a.e.c. encontrada no norte da Itália. Ali ele já aparece como um ser de aspecto antropomorfo, dotado de dois chifres na cabeça e dois torques em cada braço. O torque — uma espécie de colar torcido com as extremidades em forma de argola — é um atributo de poder e às vezes de realeza utilizado pelos grandes chefes ou pelos guerreiros mais destacados para que fossem identificados como mestres na sociedade celta e devia ser colocado apenas no pescoço ou nos braços: trata-se de uma série de tiras de metais preciosos entrelaçados em meio a um charmoso desenho em espiral nas formas de colar e pulseira que não fechavam.
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          Ao lado da imagem de Cernunnos encontrada no norte da Itália estava desenhada uma serpente — símbolo da fertilidade, do renascimento e da sabedoria que mais tarde foi satanizado — com cabeça de carneiro e uma figura com o pênis ereto — concedendo uma idéia de ferocidade. Imagens similares podem ser encontradas em toda a Europa.
           Freqüentemente é representado acompanhado por animais, principalmente cervos e touros, que se alimentam de um grande saco que tem em seu poder, ou por serpentes que se alimentam da fruta oferecida entre suas pernas. Em algumas ocasiões, aparece sentado na posição de Buda. Encontramos seu nome escrito em apenas uma ocasião: em um relevo em sua homenagem elaborado por marinheiros do inicio do século II d.e.c., no qual, além dos chifres, o deus tem orelhas de cervo.
           Sua imagem mais famosa é a do caldeirão de Gundestrup, um charmoso recipiente de prata de 36 centímetros de altura utilizado em rituais e que foi encontrado na Jutlândia, Dinamarca, quebrado em cinco pedaços. A peça foi reconstituída para que pudesse ser admirada em toda a sua beleza. Neste caldeirão, Cernunnos senta-se com as pernas cruzadas, com um torque no pescoço e outro na mão direita e segura uma serpente com a mão esquerda.
Das figuras que o acompanham, destacam-se um cervo de um lado e o que poderia ser um javali do outro lado. Também aparece um homem montado em um salmão — o peixe da sabedoria — e dois animais da mesma espécie que se enfrentam. Outro relevo em pedra — este encontrado no sudoeste da Inglaterra — o mostra com as pernas formadas por duas grandes serpentes com cabeça de carneiro sobre algumas bolsas de dinheiro colocadas ao lado do deus. Em uma moeda de prata inglesa, ele aparece com uma roda, signo solar, entre os chifres.
Os deuses com chifres são sempre identificados como entidades de sabedoria e de poder. Na Antigüidade, tais protuberâncias cefálicas podiam ser levadas apenas pelos mais viris, e não no sentido em que são entendidas vulgarmente nos dias de hoje, como indivíduos muito fortes e agressivos, mas no da própria etimologia latina. Um tipo viril era um homem com todas as letras, dotado de todas as qualidades presumíveis, mas demonstradas apenas por indivíduos reais: valor, honra, masculinidade, entre outros. Os chifres mostravam, além de tudo isso, que esse individuo desfrutava de sabedoria sobre o mundo.
Um conto popular gaélico fala sobre viajantes que chegam a uma ilha misteriosa na qual encontram apetitosas maçãs. Após mordê-las, chifres crescem em suas testas e eles passam a compreender muitas coisas que acontecem ao redor do mundo. Uma lenda escocesa afirma que tais chifres apareciam na cabeça dos melhores guerreiros quando eles se preparavam para o combate há muito tempo, ainda na “infância” da humanidade. Os vikings são popularmente mostrados como terríveis piratas que usavam capacetes com chifres. Porém, eles nunca levavam adornos semelhantes aos combates, pois isso representaria um grande incômodo se realmente o fizessem. Na verdade, utilizavam capacetes lisos, quase sem ornamentos, muito mais práticos. Os capacetes com chifres eram utilizados apenas em cerimônias religiosas. Uma das famosas esculturas de um dos maiores artistas de todos os tempos, Michelangelo Buonarrotti, é sua representação de Moisés. A obra, que data do século XVI, mostra dois chifres e encontra-se na basílica de São Pedro, em Roma.

 Os símbolos dessa divindade
são a cor dourada, chifres
ou galhadas,o veado, as
cobras, as sementes,
os grãos e a foice.

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Bergelmir

junho 1st, 2015

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      Na mitologia nórdica, Bergelmir é um dos jotunn (gigantes de gelo), filho de Thrudgelmir e neto de  Ymir,  o primeiro gigante. Ymir foi morto por Odin e seus irmãos, e o sangue que verteu dos ferimentos de  seu  corpo era tamanho que acabou causando um verdadeiro dilúvio. Muitos jotunns morreram durante a  inundação, e sua raça teria sido extinta se Bergelmir e sua esposa não tivessem usado um tronco oco de  árvore como jangada e assim se salvarem. Juntos, chegaram até Jotunheim e lá eles recomeçaram sua vida  e deram continuidade a raça dos gigantes de gelo.
      Desde então, a inimizade estabeleceu-se, definitivamente, entre deuses e gigantes, cada qual vivendo  livremente em seu território, mas sempre alerta contra o inimigo.